A DIMENSÃO HUMANA NA PSICOTERAPIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA CLÍNICA
Palavras-chave:
Psicoterapia; Inteligência Artificial; Empatia; Saúde mental.Resumo
A ascensão da inteligência artificial (IA) tem suscitado intensos debates sobre o futuro das profissões de cuidado, sobretudo no campo da psicologia clínica. Embora algoritmos e sitemas automatizados ofereçam suporte acessível, rápido e contínuo, eles não substituem a escuta sensível e a relação terapêutica que fundamentam a prática psicológica, como destacam Romero Velázquez et al. (2020). O problema central abordado neste relato refere-se às limitações da IA diante da complexidade da experiência subjetiva e aos riscos éticos relacionados ao armazenamento e uso inadequado de dados sensíveis e subjetivos obtidos em sessões terapêuticas (Ricardo, 2023). O objetivo deste trabalho, portanto, baseia-se na reflexão sobre a indispensabilidade da dimensão humana na psicoterapia, evidenciando que a presença do terapeuta não pode ser replicada por sistemas automatizados. Como procedimento metodológico, adotou-se o relato a partir da experiência clínica, com a percepção de situações concretas em atendimentos psicoterapêuticos que abarcam situações como crises de ansiedade, ideação suicida e transtornos graves, nas quais a intervenção profissional exige empatia, experiência individual e acolhimento genuíno. Esses contextos demonstram que a construção de confiança, a escuta ativa e o manejo adequado das emoções emergem da interação singular entre terapeuta e cliente, o que evidencia a importância da dimensão humana para a eficácia do processo terapêutico. Os resultados apontam que, apesar do avanço dos algoritmos, a IA não é capaz de abarcar a riqueza da comunicação não verbal, do tom de voz e da leitura intuitiva e singularizada, que são decisivas para o progresso clínico. Conclui-se, dessa forma, que a psicoterapia na era da IA demanda uma integração crítica, em que a tecnologia pode servir como apoio complementar, mas sem substituir a centralidade do encontro humano.