ENTRE ALGORITMOS E VALORES: A DIMENSÃO HUMANA NA GESTÃO PÚBLICA COM IA
Palavras-chave:
inteligência artificial; gestão pública; valores humanos; ética; democracia.Resumo
O avanço da inteligência artificial (IA) tem provocado profundas transformações na gestão pública, oferecendo novos recursos para racionalizar processos, antecipar cenários e apoiar decisões estratégicas. Entretanto, a centralidade dos algoritmos não elimina a necessidade de fundamentos éticos, sociais e institucionais. O presente trabalho tem como objetivo discutir os limites e possibilidades do uso da IA na Administração Pública, com ênfase naquilo que não pode ser automatizado: os valores democráticos e constitucionais que permeiam o interesse público. O problema central examinado consiste em compreender como conciliar a precisão algorítmica, baseada em dados e estatísticas, com a perspectiva humana da gestão pública, que envolve julgamento ético, empatia e compromisso com a cidadania. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, exploratória e bibliográfica, fundamentada em autores das áreas de ciência política, administração pública e ética digital, além da análise de documentos oficiais, acadêmicos e institucionais que tratam da incorporação da IA em políticas públicas. Pretende-se evidenciar que, embora os algoritmos contribuam para a otimização de múltiplos processos administrativos e operacionais, a tomada de decisão pública requer fundamentos que extrapolam cálculos automatizados, preservando um espaço que não pode ser delegado às lógicas virtuais. Nesse sentido, projeta-se como resultado a formulação de um referencial analítico que destaque a necessidade de equilibrar tecnologia e valores, reforçando que a gestão pública deve incorporar a IA sem abdicar de sua dimensão ética, democrática e humana. Assim, busca-se contribuir para a reflexão crítica sobre a governança digital e os limites da automatização no setor público.